Trajes


a mordoma

No Alto-Minho, as mordomas são as moças encarregadas de recolher fundos para a realização da romaria ao santo padroeiro da sua terra. Os trajes de mordomas, geralmente pretos ou azuis-escuros, serviria mais tarde como indumentária da noiva e ainda para com eles serem enterradas. Compunha-se de casaquinha quando o calor apertava a mordoma substituía a casaca por um colete com camisa de linho muito trabalhada nos ombros. 

O avental de veludo, franzido, é bordado com missangas, representando no centro a coroa e armas reais ou o escudo português.

Nos pés trazem meias brancas rendadas e chinelas de tela preta lisas. Na cabeça usam um lenço de seda fina de cor viva. Usam vela ou palmito feito com folhas de palma. Esta mulher de saber e de haveres completa a sua imagem com múltiplos adornos de ouro, mostrando com orgulho a sua riqueza.

 


a noiva

O momento único pelo qual todas as mulheres esperavam, merecia fato nobre e opulento. O traje de noiva é idêntico ao de mordoma, na cabeça deixa de usar lenço e passa a usar véu, na mão deixa de usar o palmito e passa a usar o ramo, que é seguro por um lencinho oferecido pelo namorado que agora vai ser seu marido. Esse lenço deve ser guardado com todo o carinho e cuidado, pois servirá-lhe para cobrir o rosto no dia de sua morte. 

O ouro que ela traz já é todo dela, que lhe foi oferecido pelos seus parentes e que passa a ser o seu dote. Nas vésperas do dia do casamento, a família reúna-se onde cada membro oferece à noiva alguma parte daquele ouro, ao que chamavam Dourar a Noiva.

 

 

 


meia senhora/morgada

Meia senhora ou morgada, por ser a filha mais velha, era herdeira de propriedades ou bens vinculados, que não podiam ser desmembrados ou vendidos, passando sempre dos pais para o filho(a) mais velho(a).

O traje compõe se de uma casaquinha justa em fazenda preta, podendo ser bordada com vidrilhos, saia rodada em tecido estampado das mais variadas cores, sacola de mão em crochê ou tecido, sombrinha, lenço de seda na cebeça ou nos ombros, meias brancas rendadas, chinelas pretas.

Sempre de sombrinha, quando passeava pelas ruas da cidade, a rapariga queria proteger-se do sol e manter a sua pele clara, sendo esse o sinal de que não trabalhava. A quantidade do ouro que a rapariga usava demonstrava toda a sua riqueza. 

 



A lavradeira

O traje à lavradeira é um vestuário feminino,  de «grande gala», apenas usado em dias de festa. O traje vermelho é usado por raparigas solteiras, quando casam dizem adeus ao vermelho e passam a usar só o azul. Antigamente quando era divulgado o noivado, a noiva dirigia-se à cidade “botar o ouro”, acompanhada pelos seus futuros sogros. Eram eles que ofereciam aquela que iria ser nora uma designada quantidade de ouro, correspondente às suas possibilidades económicas. No primeiro domingo após este ritual, a noiva ia à Missa, exibindo o ouro oferecido, e vestindo o traje de lavradeira. Facilmente se detectava uma noiva pelos seus adornos e trajar.

A camisa da lavradeira minhota é bordada em azul, nos punhos, nas frentes e nos ombros. Para lhe dar uma certa elegância a mulher minhota veste por cima da camisa um colete que tem bordados silvestres e românticos. A saia, rodada e de grande amplitude, é marcada por uma larga barra bordada com os mesmos motivos silvestres e românticos do colete. O avental franzido é decorado com “puxados” que recriam um magnífico jardim em relevo. A algibeira reforça a beleza da mulher com a sua forma de coração, tendo como utilização prática o transporte de dinheiro e do lenço.

Nos pés, calça meias de renda brancas e chinelas de pele bordadas com motivos florais. Na cabeça e no peito, a lavradeira usa um lenço vermelho.


Trajes de trabalho

Trajes usados para as lides do campo, da casa e também para sair: namorar, ir à missa, ir à feira, entre outros.